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Guarda-me

Guarda-me no fundo da sua gaveta onde está somente a velha blusa listrada que de tão usada se tornou a mais macia. Guarda-me perto do teu relógio de bolso que compramos na feira de antiguidades em 2011, o ano das tardes ensolaradas em países criados pela mesma criatividade que te permitiu mudar toda a decoração do quarto frio e sem vida deixado pela antiga moradora que nos disse estar farta de tudo.

Guarda-me ao lado do teu livro favorito que já passou pelas mãos de quase toda a cidade e acumula em suas páginas as lágrimas de pessoas que nem ao menos conhecemos ou veremos algum dia. Não tira a poeira dele, deixe cada partícula de tudo, não apague os trechos da história. Me guarda em um cantinho perto o suficiente para sentir o aroma da vela que tanto querias jogar e eu não deixei. Me deixa respirar toda a saudade encrustada nesse aroma que meus amigos dizem não ser dos melhores por não saberem do que nele está subtendido.

Guarda-me perto da luminária para que mesmo quando a noite chegar eu ainda possa ler as cartas que se molharam conosco na chuva do inverno passado, o que me fez chorar ao perceber que muitas palavras estavam tão borradas que se tornaram ilegíveis. Guarda-me perto da luminária e eu passarei o resto dos dias tentando ler todos os borrões.

Guarda-me perto dos teus cadernos velhos onde eu em várias páginas deixei desenhos que até hoje não entendo, então se for onde me guardará, leve todas as canetas, leve os lápis e qualquer objeto que me permita escrever, pois não quero levar o presente para o passado.

Guarda-me onde quiseres, deixe-me perto da história que desejar. Jogue fora a lembrança que sente não mais necessitar. Esqueça os escritos deixados e os livros antigos. Quebre o relógio de bolso. Leve o guarda-chuva no próximo inverno. Não me guarde mais, jogue-me no ar junto o aroma da velha vela que nunca foi das mais perfumadas.

 

 

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Espelho, traga o ator!

Espelho quebrado

Partículas do tortuoso mistério

Espelho quebrado, caco a mais no chão e logo partiu

Começa o ciclo. Para!

Desespero no olhar

Um segundo e o controle te deixa na mais obscuro solidão

Olha para o lado como se o espelho não fosse teu único espião

A porta fecha, mas não foi você

Medo refletido, não no espelho,  seus olhos

Profundos, cansados

Não caia!

Porta abre

Tecido camufla, máscara esconde, alma fecha

Cale sua mente, eles sussurram!

Esconde as evidências onde prende a esperança

Olhos nervosos já não falam

Repentinamente vem ao mundo o ator

Não rasgue seu papel, improvise suas falas

Não desobedeça o diretor, baixe a cabeça ao tal superior.

Mãos suadas

FECHEM A PORTA

Gritos não ouvidos no fundo do seu próprio oceano

Longe demais para te trazerem de volta

Fim do tempo

Fim do seu tempo

Volta ao caco de vidro no chão

Respiração no modo mais veloz da mansidão

Boca costurada canta todo o inexplicável

Alma livre tocada pelo arrependimento.

Espelho, traga o ator!

 

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O blog ainda existe!

São exatamente 00:26, acabo de entrar em um site dessa mesma plataforma e notei que uma conta minha estava logada aqui no WordPress. Não consigo nem descrever minha surpresa ao ver esse espaço em que tanto me dediquei por certo tempo e onde escrevi tantas coisas ,até mesmo sobre meus sentimentos. Não lembro exatamente porquê acabei abandonando esse blog, ou porquê eu não o exclui, na verdade, fico feliz de não ter apagado nenhum pontinho que publiquei aqui, mesmo que contenham alguns erros de português que me deixaram nervosa.

Passei algumas horas lendo desde o primeiro post até o último, e confesso que não tinha percebido o quanto eu mudei até ter tido esse “contato” comigo mesma. Eu não fotografo tanto quanto antes, apesar de ainda gostar muito do assunto. Eu não leio tanto quanto antes, e sim, estou com uma grande inveja das longas listas de leituras do mês que eu publicava (não tenho certeza sobre a possibilidade de sentir inveja de si mesmo). Notei que eu não escrevia tantos posts de playlist, e que inclusive dei a justificativa de que não conhecia tantas músicas e demorava séculos para adicionar novas ao meu repertório, estaria contando uma mentira absurda sem dissesse o mesmo agora. Eu não tinha paciência para séries, já hoje são um daqueles momentos importantes do meu dia. Mas eu mudei muito mais que os meus gostos e alguns costumes, eu mudei o meu jeito de pensar, não completamente, mas sinto que cresci muito mais psicologicamente falando do que fisicamente.

Na aba Sobre eu escrevi que “o futuro ainda é um tela em branco, ainda não sei o que desenhar nela, mas acredito que já estou juntando os materiais que precisarei usar para pinta-la”, bom, essa tela não está mais completamente em branco, e eu já não tenho certeza se continuo com os mesmos materiais, ou se adicionei tantos novos que aqueles acabaram ficando um pouco para trás.

O meu último post foi publicado no dia 15.04.2016, ou seja, ainda iria completar um ano desde que parei de escrever aqui, mas na verdade parece que já se passaram anos. Tantas coisas aconteceram, tantas coisas me forçaram a crescer um pouco mais, tantas coisas ruins, mas uma imensidão de coisas boas para acompanhar. Sabe, talvez eu não tenha mudado tanto assim. Continuo aquela menina sem tantos amigos e com mesma dificuldade de simplesmente começar a falar com alguém; ainda gosto de ficar sozinha e Percy Jackson ainda é um dos amores da minha vida; ainda não sei me descrever, continuo não fazendo a mínima ideia de que profissão seguir. Eu ainda mudo a cada segundo. Ainda gosto de escrever e apesar disso continuo sem conseguir mostrar meus textos para outras pessoas. Ainda sou fã de Ed Sheeran e Paramore. As pessoas ainda não entendem tanto assim meus desenhos e ainda me perguntam se está tudo bem depois de ver alguns deles. Continuo sendo uma menina, e claro, continuo sem ter a mínima ideia em quê resultará tudo isso.

 

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Um novo ano chegou

Sei que já é dia 4 de janeiro, todo mundo já desejou feliz ano novo, mas não é tarde (eu espero haha), então, feliz ano novo pra todo mundo hehe. Estou viajando e é por isso que só agora tive tempo e internet pra escrever alguma coisa.

 

Mais um ano começou, nossas chances de um recomeço se renovaram, e apesar do clichê de todo ano dizermos que vai ser diferente, não podemos perder a fé, a esperança de que esse ano será um dos melhores da nossa vida. São novas chances, novos momentos, novas pessoas, novas expectativas e no fim… Novas lembranças, lembranças que nem sempre serão boas, pois apesar de tudo, ainda estamos expostos ao risco de que coisas ruins aconteçam.
A maioria das pessoas faz suas longas listas de metas, que na verdade não são cumpridas, pelo menos a maioria, mas lembre-se de não se cobrar tanto assim, às vezes é melhor simplesmente viver :).
2015 foi um ano de cheio de surpresas, passei por momentos de extrema felicidade, mas também de extrema tristeza. Ri com pessoas que estão na minha vida a muito tempo, mas além disso, ri com pessoas que nunca imaginei que fossem se tornar tão próximas, e com isso aprendi a estar sempre aberta a novas amizades. Não visitei os lugares mais incríveis ou algum que já não conhecia, mas descobri coisas novas e maravilhosas nos lugares que se tornaram parte do meu cotidiano. Conheci uma dor até então completamente desconhecida, a dor da perda, nunca foi tão difícil dizer adeus, mas nunca havia olhado para as pessoas ao meu redor com tanto amor e apego, aprendi que cada momento é importante e valioso, e infelizmente pode ser o último. Aprender a afastar de você as pessoas que não te fazem bem  é necessário, e finalmente pude sentir essa liberdade e felicidade de ter por perto pessoas que realmente gostam e se importam comigo.
Foi um ano de descoberta, o começo de uma definição do que sou, e do que um dia talvez seja. Foi um ano onde parei de me importar tanto com o que as pessoas falam, porque na verdade elas sempre terão algo para falar de você, então eu não estaria perdendo nada deixando de ouvir tanta coisa.
Um ano é uma lista de aventuras, muitas vezes nós pensamos que tudo na nossa vida é chato, normal demais, e todo mundo parece estar melhor do que a gente, mas a verdade é que isso depende que como nós estamos vendo e principalmente vivendo os nossos momentos.
E esse ano o blog também fez um ano ♡ apesar de não estar atualizando com uma boa frequência aqui, e de estar postado somente textos que escrevo, ainda assim ele e todos que o lêem e chegam aqui por acaso são muito importantes pra mim, tem um valor enorme. Posso não ter o maior blog, com a maior quantidade de leitores, mas sou muito feliz com nosso pequeno e ao mesmo tempo grande número. Não estou sempre presente, mas nunca me ausento por completo, pois apesar de qualquer momento que eu passe, esse blog continua aqui, as pessoas que já comentaram ou curtiram um post continuam lendo o que posto, e os que estão com uma dúvida, querem escolher um livro, ou algo do tipo, eu ainda consigo ajudar pelo menos um pouco, e com isso não posso simplesmente apagar tudo.
Obrigada a todo mundo que está sempre por aqui, que 2016 seja um ano melhor, onde pelo menos uma pouquinho dos nossos sonhos se realizem, as mudanças que queremos, que elas cheguem, ao menos uma parte delas.
Que nós sejamos capazes de fazer algo por nós ao invés de reclamar daquilo que nunca conseguimos ou que a muito tempo queremos. Que esse capítulo das nossas vidas seja lindo, para que no futuro quando formos lê-lo um sorriso esteja no nosso rosto.